Civilização Egípcia - Imhotep
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20/05/2013 - 14:35h
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Imhotep ? - ?
Batalhas que participou | Todas personalidades | Obras Porta-Selos do rei, Mestre-de-obras, Médico no governo do faraó Djoser, 3ª Dinastia
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As Funções | O Prestígio | Divinizado | A Tumba de Imhotep | Referências Bibliográficas

 

"Graças à sua ciência médica", escreve o sacerdote Mâneton acerca de Imhotep, "ele é comparado pelos egípcios a Esculápio; foi ele quem descobriu a maneira de talhar a pedra para a construção dos monumentos e também se consagrou às Letras". Imhotep, "primeiro-ministro", e amigo pessoal de Djoser, o Magnífico, é um dos maiores gênios da História. É  autor de uma revolução artística de grande alcance, à medida que foi o primeiro arquiteto a construir em pedra um conjunto monumental tão importante como o de Sakkara.

De acordo com uma inscrição encontrada no Uadi Hammamat, Imhotep era filho de Kanefer, "Chefe das Obras dos países do Sul e do Norte", ou, em outras palavras, o mestre-de-obras do reino diretamente nomeado pelo faraó. Tinha, pois, a quem puxar e aprendeu provavelmente o seu ofício com o pai, nas oficinas reais de Mênfis, a capital do Egito. Antes de Imhotep, a pedra já havia sido utilizada nas sepulturas reais, mas de modo parcial as mastabas em tijolo tinham, efetivamente, partes de granito ou calcário, tímidas tentativas em comparação com o extraordinário projeto do mestre-de-obras de Djoser. Este último, consagrando o seu reinado à edificação de um gigantesco palácio funerário em pleno deserto, recorreu a este especialista, Imhotep, cujo nome significa "Aquele que vem em paz". A novidade da concepção deve corresponder a das técnicas: Imhotep inventa a pedra talhada e estabelece métodos de transporte e de assentamento em larga escala.

As Funções

De acordo com a tradição, não possuía apenas qualidades de arquiteto: era igualmente medico, mago, astrólogo, escritor e filósofo, competências também atribuídas a muitos dos grandes mestres-de-obras, nomeadamente na Idade Media, tanto no Oriente como no Ocidente. Para dirigir as obras, conceber o plano de um edifício, orientar os operários que talhavam a pedra e os escultores, decidir o "programa" simbólico destinado a ornar o monumento, um mestre-de-obras precisava ter praticado estas disciplinas. Imhotep tinha ainda pesados cargos administrativos na corte de Djoser. Conhecemos os seus títulos graças a uma comovente inscrição gravada no pedestal de uma estátua de Djoser, do qual apenas subsistem os pés: ao lado do nome do rei lemos o do seu principal colaborador, Imhotep, "O chanceler do rei do Baixo Egito, O primeiro depois do rei, o administrador do grande palácio, o nobre hereditário, o sumo sacerdote de Heliópolis, o carpinteiro, o escultor, o fabricante de recipientes em pedra".

Imhotep descreve-nos praticamente a sua carreira: começou por talhar recipientes de pedra, tendo sido encontrada uma quantidade impressionante nos subterrâneos de Sakkara. Depois foi escultor e arquiteto, e exerceu as mais altas funções administrativas e religiosas: administrativas na qualidade de porta-selos do rei, ou seja, de alto dignitário capaz de tomar decisões relativas ao destino do Estado egípcio; religiosas enquanto sumo sacerdote de Heliópolis, a cidade santa por excelência, a cidade do deus Sol. Os títulos de Imhotep pertencem aos mais antigos substratos da civilização egípcia.

Na época de Djoser conservam todo o seu significado e mostram, na realidade, que ele dispunha de quase todos os poderes civis e religiosos, e que trabalhava sob a responsabilidade direta do faraó. Como Imhotep era ao mesmo tempo chefe da justiça, superintendente dos arquivos reais, "vigilante" de todo o país, chefe dos magos, portador do rolo das formulas que tomam os ritos eficazes, constata-se que dispunha das qualificações de "vizir". Mais tarde, na história do Egito o vizir será o segundo personagem do Estado, o confidente do faraó, o executivo. Sem usar o titulo, Imhotep criou a função e definiu o seu grande campo de responsabilidades.

Notem atentamente de passagem o oficio de sumo sacerdote de Heliópolis. O termo egípcio adotado para designar esta função é our maou, que se traduz por "Aquele que vê o Grande" (ou seja, o deus Sol,) ou por "O grande dos videntes", sendo provavelmente esta segunda designação a melhor. Para um egípcio, ver é criar ou recriar o mundo. É ter a possibilidade de discernir a obra divina na Natureza, de perceber a intensidade do deus da Luz e de fazê-la resplandecer nas suas próprias obras. Sumo sacerdote do Sol e da Luz, Imhotep, como o seu senhor Djoser é um homem perfeitamente religioso. A sua obra arquitetônica não terá, pois, finalidades estéticas. Imhotep tem a sensação de que está construindo muito mais do que um túmulo destinado a um individuo, a aventura de Sakkara é a salvaguarda de todo o Egito no além, é uma necessidade para que o país continue a ser protegido pelos deuses.

Numa das câmaras funerárias de Sakkara, uma marca num cilindro, difícil de decifrar, parece referir o titulo: "carpinteiro de Nekhen" (uma cidade santa muito antiga). Não seria a assinatura, modesta e invisível para os vivos, do genial Imhotep?

O Prestígio

A glória de Imhotep não se limitou ao reinado de Djoser. O seu prestigio foi ainda maior do que o do faraó. Séculos mais tarde, quando canta uma poesia melancólica acerca dos grandes homens do passado, o harpista do rei Antef cita Imhotep entre os sábios e os escritores: "Ouvi", diz ele, "os preceitos de Imhotep". Infelizmente, seus livros de máximas desapareceram. Foi durante muito tempo padroeiro dos escritores e dos escribas: quando começavam a desenhar hieróglifos, deitavam umas gotas de água no godé para celebrarem a memória do seu antepassado Imhotep.

A partir da vigésima sexta dinastia, que tanto admirou o Antigo Império, criam-se estatuetas de bronze representando Imhotep: está sentado numa postura severa, com um rolo de papiro desenrolado sobre os joelhos tem a cabeça raspada e usa uma veste comprida. Tudo nele respira calma e serenidade. A sua reputação aumenta constantemente. Ser-lhe-á especialmente atribuído um colégio de sacerdotes, porque Imhotep se torna um deus, fazendo até parte de uma "tríade", a surpreendente concepção egípcia da família divina, que não deixará de influenciar a concepção da trindade cristã. Com efeito, Imhotep é filho do deus Ptah, padroeiro dos artífices, e da deusa Sekhmet. É, pois, um "deus-filho" venerado até a época dos Ptolomeus. Sob a ocupação do persa Dario, os egípcios celebram a memória de um Imhotep mestre-de-obras e atribuem-lhe a criação do plano do imenso templo de Edfu no Alto Egito.

Afirmava a lenda que um livro descera do céu ao norte de Mênfis, a antiga capital de Djoser. Imhotep lera o milagroso livro e nele descobrira o plano de Edfu.

Construíram-se templos e santuários em honra de Imhotep divinizado em Karnak, em Deir el-Bahari, em Deir el-Medina, na ilha de Fias e, de certo, em muitos outros lugares. Mas o seu santuário mais famoso foi uma capela de Sakkara.

Divinizado

Durante a Baixa Época, os gregos identificaram Imhotep com o seu próprio deus da medicina, Asclépio, também conhecido pelo nome de Esculápio. A capela de Imhotep foi considerada como um Asclepeion, sanatório onde Imhotep-Asclépio curava os enfermos. As curas milagrosas eram narradas em livros que inspiravam esperança e confiança aos pacientes. Não era a ciência dos deuses egípcios a mais antiga e eficaz?

Uma história de magia em que Imhotep ocupa o primeiro papel merece ser contada. Um papiro grego nos fala do caso de um escritor encarregado de traduzir em grego um livro egípcio consagrado aos milagres de Imhotep. Por ser preguiçoso, estava muito atrasado. O deus, descontente, fez adoecer a mãe do escriba, afligida por uma febre. O escriba compreende e suplica a Imhotep que cure a sua mãe. Este aparece-lhe em sonhos e aceita. No entanto, o escriba continua a não trabalhar com o devido afinco. Desta vez, é ele que se vê afligido por uma dor no lado direito. Imhotep aparece-lhe de novo em sonhos com um livro na mão. A censura é muda, mas a mensagem é clara: que se apresse a terminar a tradução. O escriba celebra a grandeza de Imhotep, cura-se e, finalmente, dedica-se a sério ao trabalho.

A gloria de Imhotep foi tão grande que o seu nome se encontra ainda nos escritos herméticos e nos tratados de ciências ditas "ocultas". Ele, o grande mago, foi um modelo dos alquimistas. Zósimo de Penápolis, alquimista grego cuja obra teve uma certa influência no Ocidente, Não redigiu um livro dedicado a Imhotep?

A Tumba de Imhotep

O arqueólogo britânico W. B. Emery estava persuadido de que a sepultura do grande sábio havia sido escavada no setor norte de Sakkara. Procurou-a e descobriu um poço funerário da terceira dinastia, a de Djoser e lmhotep. Cheio de esperança, chegou a um verdadeiro labirinto com mais de dez metros abaixo do solo. Estavam ali amontoadas milhares de múmias de Ibis! A ave sagrada de Thot está relacionada com Imhotep, que venerava o deus com cabeça de Ibis, padroeiro dos escribas e dos magos. Mais precisamente, o próprio Imhotep foi chamado "O Ibis", e os sacerdotes dedicados ao seu culto formavam "o colégio de Ibis". Este labirinto subterrâneo era uma homenagem indireta à memória do mestre­de-obras.

Se a múmia e a sepultura de Imhotep não foram encontradas, a sua obra essencial, porém, manteve-se viva e bem visível.

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Obras
Referências Bibliográficas

Baines, John e Málek, Jaromír. O mundo egípcio, Madri, Edições del Prado, 1996;

Jacq, Christian. O Egito dos grandes faraós, Rio de Janeiro, Bertrand Brasil, 2007.

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